Hoje a professora Girleide realizou no Bom Dia uma apresentação com a lenda de Nossa Senhora da Rapadura.
Em seguida, recemos a visita de Dona Anita mãe da Ana Mara (Ex BBB).
Os alunos aproveitaram a simpatia da dona Anita para a realização de entrevista coletiva.
Aproveitando a oportunidade, solicitamos a receita do bolinho que ficou conhecido como Bolinho de Soja da Maroca.
RECEITA:
BOLINHO DE SOJA DA MAROCA
Ingredientes:
2 xicaras de soja 2 caldos de carne 1 pimentão (picado) 1 cebola (picada) 2 tomates (picados) coentro a gosto sal, colorau e pimenta do reino 2 colheres de óleo 2 colheres de farinha de trigo farinha de rosca para empanar
Modo de fazer:
coloque as 2 xicaras de soja para ferventar. Em seguida esprema, coloque todos os temperos e refogue com óleo em uma panela.
Deixe esfriar e acrescente 2 colheres de farinha de trigo e faça os bolinhos com a mão. Passe pela farinha de rosca e frite-os.
Resgatar e Valorizar a História de Juazeiro, a Pluralidade cultural, Artistas locais, Celebridades Juazeirense;
Conhecer e identificar a cultura Juazeirense; a sua agricultura;
Trabalhar números e quantidades correspondentes: população, distância por kmTrabalhar as cores da Bandeira de Juazeiro e o significado de cada cor;
Conhecer e identificar pontos turísticos local;
Conhecer e identificar a árvore que deu nome a nossa cidade, provar do seu fruto.
Conhecer o Hino da cidade.
Etapas Previstas
Apresentação Teatral
Exposição
Pesquisa em Campo: Levantamento de dados na Internet, biblioteca local, museu e assim comparar dados.
Musical: Resgatando músicas e compositores locais.
Personalidades Juazeirenses: Daniel Alves (Seleção Brasileira 2010); Ivete Sangalo (Cantora Baiana); João Gilberto (Bossa Nova); Anamara, a Maroca (Ex BB)
As ESTRELAS simbolizam os distritos e a sede do município.
A BARCA com a CARRANCA representam o Rio São Francisco e os barqueiros.
CANA: Produto da Região
CAPELO: Simboliza a República
CORES DO ESCUDO
LETRAS: azuis
BARCA E CARRANCA: preta
CONTORNO DO ESCUDO E DAS FAIXAS: preto
ESTRELAS E VELAS DO BARCO: amarelas
CANA: verde
CAPELO: vermelho
LADO SUPERIOR DO ESCUDO: azul
PARTE INFERIOR DO ESCUDO: branco
Oficializado pela Lei Nº 803 de 12 de dezembro de 1976, na administração de Durval Barbosa da Cunha.
LETRA: Prfª Layse de Luna Brito
MÚSICA: Maestro José Pereira Bispo
Juazeiro, terra amada,
Lutarei por teu progresso
Hei de ver-te coroada
Com os lauréis de teus sucesso.
Tens beleza e alegria
Do teu povo hospitaleiro
Que deseja-te sempre
Triunfante e altaneiro.
Que conheçam outras terras
O valor de tua gente,
Tradição que tu encerras
de um tempo agora ausente.
Juazeiro és esperança
Pois nos lembra o teu nome
A cor verde da bonança
Nossa fé não se consome.
Tua glória já não é fugaz,
Faz teu povo prazenteiro
dar as mãos e construir a paz
de teus sonhos, Juazeiro.
LIVRO: JUAZEIRO DA BAHIA - Maria Franca Pires (1988)
Juazeiro é um município localizado ao norte do estado da Bahia, à margem direita do Velho Chico.
O Rio São Francisco fez de Juazeiro um marco histórico.
Os índios marcaram presença na cidade interiorana. O comércio foi notório, e a natureza com sua beleza se revela através das ilhas. Entre elas encontramos a do Rodeadouro, do Fogo, Culpe o Vento, da Amélia, do Massangano, de Nossa Senhora das Grotas e do Maroto.
História
O município de Juazeiro, no norte do estado da Bahia, implantado à margem direita do Velho Chico, situa-se no ponto exato onde ocorria o cruzamento de duas importantes e estratégicas estradasinteriores do Brasil.
Somente no fim do século XVII, à sombra protetora da árvore - mãe do sertão, o juazeiro, começa a surgir o que hoje se constitui num dos mais importantes núcleos urbanos do interior nordestino.
Foi criado em 1833, sendo que desde 1596 seu território já era percorrido pelo bandeirante Belquior Dias Moreira. Em 1706, chegava à região uma missão são-franciscana para catequizar os índios da região. Ergueram um convento e capela com uma imagem da Virgem que, de acordo com a lenda local, fora encontrada em grutas das imediações, por um indígena. Deu-se ao local o nome de Nossa Senhora das Grutas do Juazeiro, que deu origem à atual sede do município.
Juazeiro, sucessivamente, elevada à categoria de vila, posteriormente, comarca, e transforma-se pela Lei n.º 1.814 de 15 de julho de 1878, em cidade.
Juazeiro é um municípiobrasileiro do estado da Bahia. Localizada na região sub-média da bacia do Rio São Francisco, na divisa com o estado de Pernambuco, a cidade se destaca pela agriculturairrigada que se firmou na região graças ao advento das águas do rio São Francisco e por ser a quarta maior cidade da Bahia. É conhecida como a Terra das Carrancas, figuras antropomorfas usadas pelas embarcações que subiam e desciam o São Francisco. Seu nome se origina dos pés de juazeiro, uma árvore típica da região. Segundo estimativa do IBGE/2008 possui uma população de 243.896 habitantes, sendo assim a 4ª maior cidade do estado.
A precipitação média anual está nos 399 mm, podendo variar dos 1055 aos 98 mm. E a temperatura média anual é de 24,2 °C, mas pode atingir a máxima de 43,6 °C e a mínima de 20,3 °C.
A ilha do Rodeadouro está a 12 km de distância do centro de Juazeiro, é uma das mais freqüentadas da região, com praias de areias alvas e excelentes para banho. Com uma razoável infra-estrutura a ilha possui barracas onde os visitantes podem degustar os mais variados pratos da região. Há também espaço para camping, onde as pessoas podem passar os fins de semana usufruindo as belezas naturais do local.
A travessia pode ser feita através de barcos localizados às margens do rio São Francisco, no povoado do Rodeadouro ou nas barcas de passeio que saem todos os finais de semana do cais de Juazeiro até a ilha. Durante o percurso as pessoas curtem música ao vivo enquanto contemplam as paisagens naturais do Velho Chico.
A ilha do Fogo está localizada no centro da ponte Presidente Eurico Gaspar Dutra, marca da divisa entre os Estados da Bahia (Juazeiro) e Pernambuco (Petrolina). Possui uma área praiana com terreno acidentado, formado por uma rocha única, de aproximadamente 20 m de altura, onde está fixado um cruzeiro.
A ilha Culpe o Vento é deserta e ideal para prática de camping selvagem. O acesso é feito pela rodovia BA-210, que liga Juazeiro a Curaçá, aproximadamente 15 km até o local da travessia que é feita por barcos localizados às margens do rio.
Grutas
A gruta do Convento está situada a 100 km de Juazeiro, é uma aventura imperdível para quem gosta de passeios ecológicos. Cortinas e torres são formadas pelas estalactites e estalagmites que dão forma a gruta de 40 m de largura e 30 m de altura, composta ainda por dois lagos tornando o cenário mais belo. Para conhecer a gruta é necessário um guia nativo.
Cachoeiras
A cachoeira do Salitre está localizada no Vale do Salitre, na Fazenda Félix, a 39 km de Juazeiro, a cachoeira com salto de pouco mais de 2 m de altura é excelente para banho e muito apreciada pelas crianças da região, que se divertem nas águas do rio Salitre. O acesso é feito pela BA-210, sentido Sobradinho.
Também formada pelo rio Salitre, a cachoeira da Gameleira fica a 68 km de Juazeiro, escondida entre a vegetação fechada da caatinga. Num cenário paradisíaco, a queda d'água escorre entre um cânion, onde predomina um enorme gameleira, cuja as raízes se espalham formando sombra em parte da cachoeira. A profundidade do lago permite saltos do alto da cachoeira de aproximadamente 5 m.
Além da sede, Juazeiro possui alguns distritos em seu território, os quais são Abóbora, Pinhões, Itamotinga, Massaroca, Juremal, Carnaíba e Junco. Abaixo estão alguns dados desses distritos.
Distritos
Abóbora
Pinhões
Itamotinga
Massaroca
Juremal
Carnaíba
Junco
População (hab.)
2.254
2.274
20.995
2.267
1.751
3.386
7.256
Distância da sede (km)
100
72
72
70
45
20
Frota municipal de veículos
Automóveis: 16.300
Caminhões: 423
Caminhões-trator: 120
Caminhonetes: 755
Micro-ônibus: 505
Motocicletas: 13.649
Motonetas: 1870
Ônibus: 648
Tratores: 0
Ciências
Agricultura
A região compreendida pelas cidades de Juazeiro e Petrolina tornou-se o maior centro produtor de frutas tropicais do país, tendo destaque para os cultivos de manga, uva, melancia, melão, coco, banana, dentre outros; este desempenho é responsável pela crescente exportação de frutas além da produção de vegetais a região é conhecida nacional e internacionalmente pela produção e qualidade dos vinhos, que tiveram grande crescimento com a implantação de mecanismos de irrigação, tornando-se a única região do país a colher duas safras de uvas por ano, e a maior exportadora e produtora de frutas do Brasil, mesmo se localizando no centro do polígono das secas.
Vale resaltar que em Juazeiro se encontra um dos maiores "CEASAS" (central de abastecimento) do Brasil, sendo o maior do interior do norte-nordeste do Brasil, sendo maior até que muitos Ceasas de várias capitais e responsável pela produção agrícola que abastece várias regiões do país.
Meio Ambiente
Turismo
O turismo de Juazeiro é bastante tímido ainda. Contudo, vem recebendo investimentos destinados ao desenvolvimento turístico da Zona turística dos Lagos do São Francisco, uma das zonas da Bahia com potencial turístico na qual está inserido. E entre as atrações turísticas da cidade pode-se destacar a orla fluvial, o navio "Vaporzinho", o Museu do São Franscisco, a Ponte Presidente Dutra, o Parque da Lagoa do Calu, a Estátua Nego D'água e as vinículos da região.
A Orla fluvial é muito movimentada. Apresenta uma rede de bares e restaurantes movimentados onde pode-se apreciar a beleza do rio São Francisco.
O Vapozinho foi o primeiro navio a vapor que navegou no Velho Chico, tendo sido importado dos EUA, antes de navegar nessa região ribeirinha fazendo o trecho Juazeiro-BA/Pirapora-MG, navegou no rio Mississipi, nos Estados Unidos. Localizado na orla fluvial da cidade, é um monumento que homenageia os navegantes e a navegação que foram o eixo fundamental para o desenvolvimento da cidade.
O Museu do São Francisco, recentemente, foi restaurado apresenta um acervo rico da história da cidade e do rio São Francisco.
A Ponte Presidente Dutra foi inaugurada no ano de 1950, foi construída para ligar as cidades de Juazeiro-BA/Petrolina-PE, sendo hoje o maior eixo rodoviário do interior da região nordeste. Atualmente está paasando por um processo de ampliação.
A estátua Nego D'água está localizada dentro do rio São Francisco, na márgem juazeirense. É uma homenagem juazeirense às lendas e folclores do rio e dos ribeirinhos.
Mesmo tendo uma infra-estrutura que engatinha ainda no ramo turístico, Juazeiro mostra que tem muito potencial a ser explorado. Exemplo disso é o Challako Night Club, certamente o melhor e maoir estabelecimento do ramo em toda a micro-região de Petrolina e Juazeiro. Lá você sempre encontra boa comida e pessoas bonitas que estão sempre dispostas a conversar e interagir com você. O alto custo do lugar torna-se o maior problema, principalmente se você pretende comer lá.
Características da cidade e da população
Apesar da deficiência na infra-estrutura urbana, a cidade de Juazeiro apresenta características agradáveis que garantem a qualidade de vida da população, tais como a presença de praças bem arborizadas, a qualidade atmosférica no centro proporcionado pela preservação de características interionanas como a manutenção do fluxo de ar devido a ausência de edifícios e altas construções, além de tudo, a população local tem como característica a hospitalidade e a diversão que é facilmente comprovada em festas e comemorações populares.
Pluralidade Cultural
Calendário de festas
Março: Via Sacra.
Abril: Maratona Tiradentes.
Maio:"CARNAVAL DE JUAZEIRO", Carnaval,Padroeira de Carnaíba, Festival Programa Arte Educação, Pentecostes.
Junho: Padroeira de Abóbora, São João, Padroeiro de Juremal, São Pedro.
Julho: Aniversário de Juazeiro, FENAGRI - Feira Internacional da Agricultura Irrigada.
Agosto: Semana do Folclore.
Setembro: Desfile Cívico-militar de 7 de setembro, Festa de Nossa Senhora das Grotas.
Dezembro: Festival integrado de artesanato, Projeto cantos natalinos, Auto de natal, Reveillon da cidade.
Personalidades
Ivete Sangalo.
Entre os juazeirenses ilustres estão:
Ivete Sangalo - cantora conhecida pela simpatia e versatilidade musical, é considerada uma das artistas mais influentes da música brasileira atual.
João Gilberto - importante nome da música popular brasileira e da Bossa Nova. Conhecido pelo temperamento dificil e suas belissimas canções. Além de ser reconhecido, gravado e convidado a fazer shows em todo o mundo.
Luís Edmundo Pereira - foi um importante zagueiro central, atuou em vários clubes, teve destaque principalmente na Seleção brasileira campeã da copa do mundo de 1970.
Jornal A Tarde - Salvador
Jornal Correio da Bahia - Salvador
Jornal Diário da Região - Juazeiro
Jornal Gazzeta do São Francisco - Petrolina
Jornal Tribuna da Bahia - Salvador
Liberdade FM 104,9 - Juazeiro
Rádio Cidade AM - Juazeiro
Rádio Juazeiro AM - Juazeiro
Radio São Francisco AM - Juazeiro
Renascer FM 103,5 - Juazeiro
Transamérica Hits FM 99,9 - Juazeiro
Tropical Sat FM 102,5 - Juazeiro
Programas e sites Informativos
Ação Popular (impresso e oline:http://www.acaopopular.net/)
A Notícia do Vale (impresso e oline:http://www.anoticiadovale.com/)
Blogs: Blogdo Dr. Lindolfo/Blogfolha.com/Blog Carlos Brito/Blog Geraldo José/
Folha do São Francisco(impresso e oline:http://blogfolha.com/)
Rádio Web Juazeiro (http://radiojuazeiro.ipolo.com.br)
RJ Notícias (Rádio Juazeiro)
Repórter 1190 (Rádio Juazeiro)
Sem Fronteiras (Rádio Juazeiro)
Emissoras de televisão
Canal 07 VHF - TV São Francisco/Rede Globo - Juazeiro
Canal 04 VHF - TV Aratu/SBT - Salvador
Canal 10 VHF - TV Itapoan/Record - Salvador
Canal 06 VHF - TVE/Bahia - Salvador
Canal 25 UHF - RIT
Canal 02 VHF - TV Grande Rio/Rede Globo - Petrolina
Canal 13 VHF - TV Pernambuco/Cultura - Caruaru
Canal 38 UHF - RedeTV! - Recife
Outros Emissoras de rádio e Jornais (Relacionados) em Juazeiro
São Antônio - São João - São Pedro - Folia de Reis - Pastorinha - Vaquejada - Congos - Reis de Boi - Corrida de Argolinha, Reis de Mula - Festa do Divino.
Nego D'água - Vapor Fantasma - Minhocão - Serpentes da Ilha do Fogo - Caboclo D'água - Nossa Senhora da Rapadura, Carranca - Mãe D'água - Serpente da Ilha - Nossa Senhora das Grotas.
Negro d’Água Diz a lenda que o Negro D’água ou Nego D’água habita diversos rios tais como o rio Tocantins e o rio São Francisco onde possui um monumento em sua homenagem na cidade de Juazeiro (Bahia). Manifestando-se com suas gargalhadas, preto, tem a cabeça pelada e mãos e pés de pato, o Negro D’água [...]
Cercada de água e mistérios por todos os lados, a Ilha do Fogo é a maior testemunha do que Caetano Veloso, numa célebre passagem pela região, identificou como a “sombra do ciúme” que paira sobre Juazeiro-BA e Petrolina-PE.
Divisa natural entre os estados de Pernambuco e Bahia, a ilha possui uma área praiana de terreno acidentado, formado por uma rocha única, elevando-se ao poente em morro de aproximadamente 20 metros de altura, onde fica um cruzeiro que durante muito tempo serviu de orientação aos navegantes.
No limiar da correnteza que trouxe os intrépidos navegantes, o "oculto do mistério", vindo de Minas, se escondeu no terreno acidentado da ilha. Uma antiga lenda assegura que existe na ponta da Ilha do Fogo uma grande serpente amarrada em três fios de cabelos de Nossa Senhora das Grotas (Padroeira de Juazeiro). No dia em que a serpente se libertar, diz a lenda, as cidades de Juazeiro e Petrolina serão inundadas.
Nos livros sobre lendas do Velho Chico não faltam depoimentos de pessoas que afirmam piamente terem se deparado com a tal Serpente D’água. Com relação à origem do nome da ilha, Lúcio Emanuel, profundo conhecedor das tradições ribeirinhas, afirmou que nas noites de trevas densas um brilhante foco iluminava o pico da ilha formada de uma gigantesca saliência de granito, daí o nome Ilha do Fogo.
Com o passar dos anos e das águas, as lendas em torno da ilha foram se estreitando com uma intensidade similar ao próprio estreitamento físico. Na ausência de serviços de proteção aos efeitos da erosão fluvial, a Ilha do Fogo, que tinha por volta de 54 mil metros quadrados, hoje tem no máximo 32 mil.
Francisco de Assis Bernardino, popularmente conhecido como Assis da Ilha do Fogo, foi testemunha deste processo. Desde que chegou à região, no final do ano de 1992, ele vive na ilha com a família. “No início de 1993, teve uma grande enchente por aqui, houve remoção de areia e erosão. Do lado de Juazeiro, o pessoal colocou sacos de areia para a água não invadir a cidade”, afirma Assis, que investiu o dinheiro que trouxe na construção do Terminal Turístico da Ilha do Fogo.
Com o início da duplicação da ponte Presidente Dutra, o movimento no Terminal Turístico diminui bastante. Um lugar que antes recebia por volta de 2500 pessoas por semana, hoje tem recebido no máximo 500 pessoas. “Atualmente, a gente divide a ilha com os consórcios que estão duplicando a ponte”, explica Assis, desolado. E, em seguida, complementa: “Eu estou aqui guardando a posse de todo o patrimônio, que não é só material. Eu amo a Ilha do Fogo!”.
“Sim, mas e quanto à serpente: existe mesmo?”, pergunto. Assis, sorrindo, aponta para o Casarão, onde 32 funcionários edificaram um restaurante com pista de dança e camarote: “Se a serpente estiver lá dentro está meio difícil de se soltar. Tem mil metros quadrados de concreto em cima dela”.
Carrancas: A Cara do São Francisco
Fotografia de Carranca-vampiro tirada no distrito de Carnaíba do Sertão (BA)
Contextualização
Coincidentemente, o ano da morte de Benjamin marca o fim do ciclo das embarcações no Brasil, momento em que as carrancas passam a ter outra significação social e cultural, deixando de ser usadas somente como figuras de proa para serem fruídas como objetos de decoração no interior das casas, feiras artesanais, museus, exposições, coleções e estabelecimentos comerciais.
Vejamos...
Como uma figura sombria, disforme, zooantropomorfa e com uma expressão de ferocidade intrínseca agravada por uma generosa juba conseguiu atravessar gerações e se tornar o ícone da região do São Francisco? Longe da pretensão de fazer um estudo da história das mentalidades, a explicação pode estar associada ao aspecto ritualístico atribuído às carrancas pelos narradores fantasiosos, que encontraram na função totêmica uma fácil explicação para a origem incerta de tal manifestação da arte popular.
De ornamento das barcas passou-se também a atribuir a essas curiosas figuras a função mágica de salvaguardar os barqueiros, viajantes e moradores contra as tempestades, perigos e maus presságios. Uma crença que, medidas as proporções, perdura até hoje.
O fato é que a dimensão religiosa das artes, muito comum nas primeiras manifestações culturais, deu aos objetos artísticos ou às obras de arte um caráter singular. “Sua qualidade de eternidade e fugacidade simultâneas, seu pertencimento necessário ao contexto onde se encontra e sua participação numa tradição que lhe dá sentido”, como escreve Marilena Chauí.
Segue o poema de Drummond. Qualquer semelhança com o texto é mera conseqüência:
Exposição de Carrancas
As carrancas do rio São Francisco largaram suas proas e vieram para um banco da Rua do Ouvidor. O leão, o cavalo, o bicho estranho deixam-se contemplar no rio seco, entre cheques, recibos, duplicatas. Já não defendem do caboclo-d'água o barqueiro e seu barco. Porventura vem proteger-nos de perigos outros que não sabemos, ou contra assaltos desfecham seus poderes ancestrais o leão, o cavalo, o bicho estranho postados no salão, longe das águas? Interrogo, prescruto, sem resposta, as rudes caras, os lenhados lenhos que tanta coisa viram, navegando no leito cor de barro. O velho Chico fartou-se deles, já não crê nos mitos que a figura de proa conjurava, ou contra os mitos já não há defesa nos mascarões zoomórficos enormes? Quisera ouvi-los, muito contariam de peixes e de homens, na difícil aventura da vida de remeiros. O rio, esse caminho de canções, de esperanças, de trocas, de naufrágios, deixou nas carrancudas cataduras um traço fluvial de nostalgia, e vejo, pela Rua do Ouvidor, singrando o asfalto, graves, silenciosos, o leão, o cavalo, o bicho estranho...
imagens clique para ampliar
Carrancas-vampiro de tamanhos variados, numa loja de artesanato de Juazeiro (BA)
Carranca de barro produzida por Ana das Carrancas.